Comentários Maçônicos sobre “A Arte de Viver” - Lições de Epicteto

Autor: Círculo Literário Alécio Pineis

Tempo de leitura: 4min

Imagem1 Capa do livro retirada da internet. https://http2.mlstatic.com/D_NQ_NP_2X_766981-MLU72972328245_112023-F.webp

O Círculo Literário nasceu do desejo de unir leitura, reflexão e convivência. Todos os meses, escolhemos uma obra para debater e conectar suas mensagens com nossas próprias experiências. Mais do que uma leitura, buscamos um registro vivo do que aprendemos.

Neste encontro, o escolhido foi "A Arte de Viver", de Epicteto — um manual que, apesar de milenar, corta como um cinzel as vaidades e ansiedades da vida moderna.

O livro é dividido, principalmente, em três tópicos. O primeiro tópico aborda a distinção entre o que está em nosso poder (opiniões, desejos) e o que não está (corpo, reputação). O segundo tópico foca na aceitação serena da realidade, desejando que as coisas aconteçam como devem, e não como se deseja. O terceiro tópico, a virtude, enfatiza a necessidade de considerar as consequências antes de agir, para viver com sabedoria e coragem.

1. A Dicotomia do Controle: O que realmente é seu?

Imagem2 Imagem gerada por Inteligência Artificial

A discussão começou com o ponto nevrálgico do livro: a capacidade de entender o que depende de nós e o que não depende. Em nosso debate, ficou claro que a opinião alheia, a fama e até os cargos que ocupamos (seja na sociedade ou na Ordem) estão fora do nosso poder.

"O que está em nosso poder é a opinião, o objetivo, o desejo. Além do nosso poder está o corpo, a propriedade, a reputação. Tudo o que não é propriamente nosso."

Refletimos sobre como a frustração nasce justamente do desejo de que as coisas aconteçam como queremos, e não como o curso natural do mundo dita. A harmonia está em alinhar o desejo à realidade.

2. Paramentos, Títulos e a Essência do Homem

Imagem3 Imagem retirada da internet. https://www.aventalmacom.com/wp-content/uploads/2021/10/Assistente-do-Grao-Mestre.jpg

Um dos momentos mais provocativos da reunião foi a reflexão sobre o prestígio. Discutimos como, muitas vezes, as pessoas buscam honrarias e paramentos para se sentirem especiais.

A lição de Epicteto, transposta para a nossa realidade, é severa: se você só se sente especial usando um paramento ou um título, sem ele você não é ninguém. A virtude não é uma consequência do cargo; o cargo é que deveria ser uma consequência da virtude. O progresso que exige que você jogue fora seu caráter não é progresso, é retrocesso.

3. Da Pedra Bruta à Prancheta da Loja

Imagem4 Imagem retirada da apresentação “Os Desafios Atuais da Ordem” de Roberto Bertelli

O debate trouxe uma analogia poderosa sobre a evolução do maçom:

A Pedra Bruta: Aquele que entra na Ordem apenas para "estar lá", sem o desejo real de se lapidar. Passa décadas e permanece intocado em seus defeitos.

A Pedra Polida: Aquele que detém uma teoria fantástica e um intelecto notável, mas não tem projeto. É uma pedra bonita, mas que não serve para construir nada.

A Prancheta da Loja: Onde os planos são traçados. É a aplicação do conhecimento para resolver as mazelas da sociedade, saindo do intelecto para a ação prática.

4. O "Amor Fati" e a Leveza de Espírito

Falamos também sobre o Amor Fati — o amor ao destino. Não como uma aceitação passiva, mas como uma forma de encarar as adversidades como essenciais para o caminho.

Um insight interessante compartilhado foi sobre como lidar com as críticas: se alguém fala mal de você, não se defenda. Apenas pense: "Ele deve ignorar meus outros defeitos, senão teria mencionado mais do que apenas estes". Essa leveza protege a paz interior e desintegra a vaidade.

Conclusão: Por que Epicteto hoje?

Imagem5 Imagem retirada da internet. https://www.ex-isto.com/2022/03/epicteto-frases.html

Epicteto foi um escravo que se tornou um dos maiores filósofos da história. Ele não escreveu livros; viveu lições que seus discípulos registraram. Para nós, na Alécio Pineis, a leitura reforçou que a Maçonaria não busca intelectos notáveis por si só, mas homens que utilizam a razão para dominar as paixões e construir um edifício social mais justo.

A filosofia estóica é o cinzel que remove o supérfluo. E como discutimos ao final: é melhor fazer o melhor com o que se tem agora, do que esperar uma perfeição que nunca chega para começar a agir.

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Comentários de: Igor Raffa, Dener Felipe, Roberto Bertelli, Gustavo Bertelli, Marcel Arceli, Leonardo Toguia, Emílio Proietti, Esequiel Batista e Leonardo Sousa.