Comentários Maçônicos sobre “O Pequeno Príncipe” - Lições para a Vida e para a Fraternidade
Autor: Círculo Literário Alécio Pineis
Tempo de leitura: 9min
Imagem retirada do site:
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O Círculo Literário nasceu do desejo de unir leitura, reflexão e convivência. Todos os meses, escolhemos um livro para ler (maçônico ou não) e, em nosso encontro, debatemos suas ideias, trocamos impressões e conectamos as mensagens da obra com nossas próprias experiências.
Essas conversas não ficam apenas no momento do encontro — registramos os pontos mais marcantes e transformamos em textos que ficam disponíveis aqui no site, criando um registro vivo do que aprendemos e refletimos juntos.
Neste mês, o escolhido foi O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, um clássico que nos convida a olhar para o essencial com o coração.
Reflexões Iniciais: A leitura do livro "O Pequeno Príncipe" em diferentes fases da vida revela novas nuances filosóficas. Uma curiosidade sobre a morte do autor, Antoine de Saint-Exupéry, é que ele faleceu em uma queda de avião, semelhante ao enredo do livro. O Pequeno Príncipe pode representar a infância do autor, e suas viagens, fases da vida que ele revisita em busca de sua própria essência.
Ilustração Original do Livro
A Visão Infantil vs. Lógica Adulta: O primeiro ponto que vale a menção é a visão infantil em contraste com a lógica adulta, exemplificada pelo desenho da jiboia que engole um elefante, onde adultos veem apenas um chapéu. Ao crescer e adquirir maturidade, muitas vezes se perdem a pureza e partes essenciais da infância. Cabe quem sabe até mesmo uma análise esotérica do símbolo da cobra engolindo o elefante, interpretando a cobra como mistério e o elefante como sabedoria, incentivando a busca por sabedoria por trás do desconhecido.
A Virtude da Busca Contínua: Uma virtude comum em todas as visitas do Pequeno Príncipe a outros planetas: a persistência em buscar respostas e o desejo de entender. O ignorante não é quem não sabe, mas quem, tendo uma dúvida, opta por não buscar a solução.
A Disciplina e o Cultivo de Si: A disciplina é abordada pelo cuidado do Pequeno Príncipe com seu planeta natal e o lampião do acendedor. Também é vista na rotina com a raposa, que ajuda a criar laços e a cultivar sentimentos positivos. Fica enfatizado que, embora trabalhosa, ela é essencial para o crescimento pessoal e para construir relações saudáveis.
Baobás: imagem original do Livro
Disciplina, Ritualística e o Baobá: É possível associar a disciplina à ritualística maçônica, onde a repetição dos ritos ajuda a construir caráter e virtudes. O planeta natal do Pequeno Príncipe pode ser interpretado como o mundo interior de cada um e a simbologia do baobá como a necessidade de "cortar o mal pela raiz" ao identificar pensamentos ou vícios que podem destruir o indivíduo.
A Busca pelo Conhecimento Através das Relações: A jornada do Pequeno Príncipe por outros planetas pode ser interpretada como uma busca por diferentes perspectivas de vida, essencial para a construção do próprio ser. Cada personagem encontrado representa um vício, e o Pequeno Príncipe, através do diálogo, introduz a virtude oposta.
Imagem retirada do filme “O Pequeno Príncipe” (2015)
Expectativas e Autoconhecimento: O planeta do Rei faz refletir sobre o senso de justiça, que só se deve exigir do outro o que ele pode dar, e a dificuldade de julgar a si mesmo. As expectativas sobre os outros são frequentemente frustradas, pois as pessoas oferecem o que está ao seu alcance. Controlar as próprias reações e não ter expectativas excessivas em relação aos outros pode levar a uma maior satisfação.
Imagem retirada do filme “O Pequeno Príncipe” (2015)
A Vaidade e a Maçonaria: O planeta do Vaidoso traz um personagem que busca constantemente elogios e reafirmação, o que pode denotar um vazio interior. O planeta do Vaidoso pode ser comparado com aspectos da Maçonaria, a tentação da vaidade dentro da ordem, especialmente em relação a cargos e honrarias. Impossível não lembrar novamente do Patrono da Loja Alécio Pineis como exemplo de alguém que, apesar de ter recebido as maiores honrarias, não as ostentava, valorizando mais o reconhecimento pelo trabalho do que a autoafirmação por títulos. Mesmo dentro da maçonaria, a vaidade pode ressurgir através de cargos, gerando divisões e conflitos. Por isso a importância de se policiar contra o ego, independentemente dos bens materiais ou do nível intelectual alcançado, lembrando que todos são humanos e que a essência é o que realmente importa.
A Questão dos Vícios: A história do bêbado no livro ilustra a fuga da realidade e o ciclo vicioso de vergonha e dependência. Os vícios podem ser tanto literal, como álcool e drogas, quanto comportamentais, como ser explosivo ou imediatista. Cada pessoa tem o poder de controlar o próprio destino e a responsabilidade de mudar comportamentos prejudiciais.
O Homem de Negócios e o Materialismo: O planeta do homem de negócios simboliza a constante ocupação e a busca incessante por coisas superficiais, relacionado com o materialismo e à perda de tempo com coisas que não agregam valor pessoal, como o trabalho excessivo que pode destruir famílias. Contudo, ressalta-se que o lucro e o sucesso material não são inerentemente negativos, mas o propósito por trás deles é crucial, diferenciando quem busca o lucro apenas para si e quem o utiliza para fins sociais. Embora as empresas visem lucro, muitas multinacionais e empresas modernas entendem a necessidade de manter seus colaboradores bem, o que indiretamente promove o bem-estar social. Esse cuidado com os colaboradores permite que eles invistam em suas famílias, educação e tenham uma vida melhor, transformando o mundo. O personagem do livro acumula estrelas apenas "para ter", sem propósito. Portanto, a busca por ter algo é improdutiva quando não leva promove o bem-estar social.
O Acendedor de Lampiões e a Rotina no Automático: O personagem do acendedor de lampiões representa a melancolia de se viver em uma rotina sem propósito, seguindo regras cegamente. Embora o personagem seja disciplinado e responsável, a falta de questionamento sobre o porquê de suas ações o faz perder o sentido. Essa realidade de viver no automático pode ser imposta pela desigualdade social ou escolhida pela busca do caminho mais fácil e da zona de conforto.
A Teoria e a Prática: O geógrafo representa o pseudointelectual que detém muito conhecimento, mas não o aplica na vida diária ou para o bem social. O conhecimento sem aplicação prática é vazio e a experiência é o que realmente engrandece o saber. O ditado "faça o que eu digo, mas não faço o que eu faço" pode ser usado para descrever o geógrafo. Por isso a importância de colocar a teoria em prática.
Imagem retirada do filme “O Pequeno Príncipe” (2015)
Cativar e Responsabilidade: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Cativar é um processo que requer tempo e dedicação, diferente de obrigações. A responsabilidade em cativar é algo que torna as relações especiais e exige uma postura madura, seja em relação ao trabalho, à Loja Maçônica ou às pessoas, sempre com foco em cultivar o amor fraternal.
Afeto vs. Fraternidade Maçônica: Existe uma diferença entre a fraternidade maçônica e o cativar. A fraternidade envolve um compromisso e responsabilidade de ajudar um irmão, independentemente do afeto, enquanto o cativar gera um outro nível de união, baseado em carinho e apreço. Não se trata de uma obrigação maçônica, mas de algo que envolve o espírito e a alma, criando um laço muito mais forte do que um juramento. O cativar é algo que entra no espírito e não sai mais, fazendo com que a ausência da pessoa que se cativou gere um vazio. Abandonar alguém que se cativou pode causar grande sofrimento, por isso é importante evidenciar a profundidade e a responsabilidade desse ato.
A Morte e o Legado: A representação da morte em "O Pequeno Príncipe" completa um ciclo e serve como ensinamento. A morte no livro faz refletir sobre a importância das relações humanas ao longo da vida. O legado é importante, as lembranças e os laços que se deixam, pois as pessoas só morrem quando são esquecidas. O autor do livro busca transmitir que a morte não apaga o vínculo, e que valorizar os afetos e o tempo dedicado uns aos outros é essencial. Apesar da morte, o final do livro é belo e emocionante, pois o Pequeno Príncipe decide seu próprio destino.
Filosofia Espiritualista e Legado do Pequeno Príncipe: Há muito da filosofia espiritualista no final do livro "O Pequeno Príncipe", podendo ser interpretada a morte do protagonista como uma transição para o plano espiritual. Essa ideia se conecta ao legado de Patrono Alécio Pineis, que, assim como o Pequeno Príncipe, deixou lições e memórias eternas, tornando-se imortal através de seus ensinamentos. A metáfora de olhar para as estrelas e ouvir a risada do Pequeno Príncipe significa aplicar seu legado e lições positivamente no dia a dia.
Um paralelo com o Patrono Alécio Pineis: Traçar um perfil do livro “O Pequeno Príncipe” no contexto da lembrança saudosa do Maçom Alécio Pineis é uma homenagem profundamente significativa, principalmente considerando seu legado como maçom e homem de princípios. Assim como o Pequeno Príncipe, Alécio Pineis buscava o progresso espiritual, a sabedoria e um entendimento mais profundo da vida humana e suas relações. A essência de sua jornada maçônica também era seguir a "luz", desvendando o que está além das aparências. Como maçom e líder, Alécio foi um exemplo de responsabilidade para com aqueles que estavam ao seu redor, sempre cuidando e orientando com paciência e um senso de dever. Ele sabia que em cada relação humana havia algo único a ser cultivado. Alécio conseguia transitar entre a linguagem das crianças e dos adultos, adaptando-se a diferentes ambientes. Pois, ao mesmo tempo que cuidava dos DeMolays, precisava também se integrar aos Maçons. Se pensarmos no mundo em que vivemos – muitas vezes marcado pela superficialidade e hipervalorização de bens materiais –, lembrar de pessoas como Alécio Pineis é um convite para resgatarmos valores profundos, que refletem justamente o "essencial invisível aos olhos". Ele, assim como o Pequeno Príncipe, parece incentivar-nos a cultivar relações autênticas e um compromisso com aquilo que realmente importa.
Comentários de: Igor Raffa, Gustavo Bertelli, Marcus Pinese, Marcel Arceli, Leonardo Toguia, Silvio Medeiros, Fernando Boraschi e Leonardo Sousa.